domingo, 27 de setembro de 2015

Secarei todas as palavras de amor...

Secam-se em mim as grinaldas!
Não passam de fantoches aos meus olhos,
seca o amor, enquanto alguém morrer…
De fome… de medo… ou de frio…
Mas que abandono em estendal!

Perdem a graça todos os poemas
sem atitude.
Não fazem sentido abraços mão na mão,
não, não fazem.
Grosso modo: sou ignóbil ao meu tempo;
vaio o que não entendo.
Grosso modo: nem só o amor procria,
da indiferença  brotam raízes.

E um dia ao olhar o horizonte,
tudo o que avistas são cruzes.
Por isso mesmo:
secarei todas as palavras de amor,
em poemas que são farpas;
espetadas  lentamente.
Assim, sem mais nem porquê,
num tempo intransigente com a vida.
Dou prioridade às farpas!

Seria eu vendilhão do templo,
se me vendesse por uns trocados…
Palmas… muitas palmas!
Beijos… tantos beijos!
Abraços em demais amasso!
Jamais quero na mão o que não entendo,
neste palco de cabeça para baixo.
Sou poeta, e como tal:
berro… o cheiro a podre…

Seco… mundo medonho!
Sou poeta de cepa intransigente,
berro ao cheiro a morte.
E ao enxofre da mente
jamais me curvarei.