terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dois e dois...


Não consigo juntar dois e dois
Penso e repenso, um pensar retardado
Pelo espírito sempre alheado
De mim, embrenha-se em sois
Que se rasgam igual a lençóis
Presos em estendal de arame
Como é pobre o certame
Lençóis, açoitados pelo temporal
De uma razão comportamental
Não consigo somar, e depois

Não serei eu que me olho no espelho
Que vejo o dia igual a fedelho
De cara mascarrada, chaga no joelho
Um sorriso matreiro, feliz
Olho o dia igual a petiz
Que pede colo ao adormecer
Não serei eu, que finjo não ver
Os anos que passam
As dores que amassam
Mas o sangue ainda é vermelho

Dois e dois não consigo somar
Pesa-me um pensamento a sangrar
Salpica a minha mente fechada
Ás vezes rasga igual a enxada
A terra barrenta que me cobre
Talvez aí a esperança se desdobre
E…
Eu consiga somar dois, dois.

Então, o sol e a lua eu teimarei em juntar

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...