quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Pé ante Pé...

Recuso as pedras da rua
Unidas entre si pela terra fértil.
Ignoro a lágrima brotada
Sob os pés que pisam a calçada.
Estéril a minha crença!
Por ventura desconheço
Esperança.

No cair da tarde, maruja memória
Logo de manhã, indiferente a estória,
Enquanto vasculho o alheio ausente…
Tenho nas mãos o presente
No sol que me sorri.
Ele ali vai…

Um pé adiante, outro atrás
Afugenta cansaço,
Sem desembaraço.
No rosto Alentejo
Nas mãos saudade,
Sei que olvido liberdade…

No tampo da mesa repousa a chávena,
De um café negro,
Nas pedras da rua passa alheia
Uma brisa ligeira,
Pé ante pé empurra a morte
Numa pasteleira.