sexta-feira, 3 de julho de 2015

Atrevimento...

Se eu pisasse um trilho fácil, dançaria ao luar,
gritava, tenho tanto p`ra jogar.
Elevaria aos píncaros aquilo que sou
Para depressa me estender ao comprido,
ao perguntar ao espelho: que restou?

A direito,
sem modéstia ou falsa virtude,
piso com certeza todas as pedras da calçada.
Por vezes sangram-me os pés,
enfio a cabeça na areia.
Também me estatelo ao comprido,
sou assim: chaparro assumido!

E um dia: num tempo que não sei,
de um ano que não viverei,
todos os meus versos cairão ao chão,
e brotarão margaridas!

Vaidade desmedida que me assola,
consola, e fala baixinho:
sê tu, descalça de arabescos,
no atrevimento está o sonho.

E como todos os sonhos são fruto do pensamento
Escrevo versos e componho a minha mortalha ao vento.
E como o vento varre a planície nas noites de luar
Tenho tanto que aprender noutro tanto a desbravar.