quarta-feira, 1 de julho de 2015

Não seria eu por entre nada...

Se um dia escrever num poema: nada.
Estarão todos os meus nadas confinados
aos confins do impossível, e desvairada
jogarei palavras como se fossem dados.

Matarei o raciocínio na fria madrugada.
E a reflexão só será pretexto adiado.
Não passarei de alma deslumbrada,
saltitando em redor do meu pecado.

Até do nada faço anseio, triste fado!
E aos meus olhos: todos os nadas são luz!
Ou acaba por morrer aquilo que seduz.

Não seria eu, na facilidade que conduz
ao adorno. Mas se o nada é engraçado,
porque teimo um registo arriscado…