terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sim... e não me leves a sério.


Por favor; nem sempre me leves a sério.
Não: Quando o formigueiro se alastra…
Quando as palavras rolam descaradas!
E as frases deixam de fazer sentido;
mesmo que o sentido seja o sol.

Não me leves a sério, sou malabarista,
cantor, escultor, até pintor sem tinta!
Artista de circo, figurante ou mau actor,
sou poeta! Vejo borboletas onde falta a água…
Cometas sem cauda; vejo terra e cor,
chuva, vento ou maresia numa flor murcha!

Por favor; só me leves a sério no caso sério:
Em terra de ninguém, ou num corredor escuro;
e só se a mente adormecer.
Leva-me a sério, num filho sem pai…
Num poema sem rosto e mesmo assim,
é a cara chapada da humanidade.
Não me leves a sério. Sou ser de mil vozes!
Mas leva-me a sério. Das dores faço nozes!