terça-feira, 14 de outubro de 2014

Faz de conta...

Traz-me Terra o que me falta
Nas horas de leviandade,
A enxada com que lavre
O pensamento que é fértil
Em perplexidade!

Traz-me terra em gemidos de rameira,
Sobriedade. A alcunha aventureira,
Natureza rebelde de fera enjaulada
Em panos de cetim, brocados de fel
De um olhar em espasmos.

  - Que mundo caduco!

Grita e esperneia por isto e aquilo!
Mas olha de revés a morte,
Enquanto lança na lama a sorte de viver.
Traz-me terra, Alentejo muito meu
Os olhos de outrora, a foice de aço frio
Arrancada ao pensamento de um homem do campo.
Eleva-a ao céu azul em castelo de sonhos,
 E lança na terra espigas de trigo,
E nas ribanceiras figueiras bravas.
Mas por favor deixa-me dormir ao relento.

Só na aridez serei eu…

Metamorfose da palavra
Sem significado plausível!
Traz-me terra uma cova funda
Para enterrar o que sou,
Escrivã de um tempo que desconheço,
De um reino em que amoleço
Sempre que me estico ao sol.
E no rol lavo a preceito
O que nem eu entendo.

Traz-me terra a má fama
De bêbado errante
E aí quem sabe o poema corra sem tempo.

Num tempo de faz de conta…




Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...