quarta-feira, 29 de março de 2017
sábado, 25 de março de 2017
Águas paradas…
Trago sempre
no peito subtil imagem…
Mesmo que
seja frio o pensamento.
Deixo a
porta entreaberta à aragem.
Embora me
perca nesse alheamento…!
Se todas as
horas podem ser miragem…
E até no
deserto existe um catavento.
Deixo aos
dias a força, mesmo selvagem.
É o sonho
quem impele qualquer momento.
Repara nas
nuvens, como são escuras!
Mesmo assim… o sol afasta as mais sombrias.
Por isso;
deixa que o coração fale mais alto.
Olha em
frente, não é qualquer planalto
que corta os
laços. Já que é o pensamento:
Quem
sobrevoa as águas, se estão paradas…
sexta-feira, 24 de março de 2017
O mundo enlouqueceu…
Deixa-me às
minhas ilusões…
São o
trampolim além do nada.
O mundo está
repleto de papões…
A humanidade
é uma criança abandonada!
A morte
baila em cada esquina!
Mesmo à luz
do dia.
A terra está
oca e vazia.
Deixa que me
enrosque, agastada.
Só quero
dormir, mas até o sono é indevido…!
Deixa os
meus erros são iguais aos teus.
Deixa os dos
outros, são como os nossos.
Não percas
tempo dá tempo ao sonho.
Já que o
mundo enlouqueceu.
quinta-feira, 23 de março de 2017
O amor e a perfeição…
Presa naqueles
dias…
Em que a
busca das cerejas
lembra a
madrugada.
E todas as
estradas são roseirais.
Ou laranjal em flor.
E o sonhar é
a pedra bacilar
numa estrada
de terra.
As quimeras
são todos os beijos ao luar.
E o amor é a
perfeição.
E a
interrogação…!
Se os beijos
são luar.
As estradas
roseirais.
E o amor a
perfeição.
Porquê…
Se anda no
mundo em contramão!
Musa...
Beija-me as
mãos, mas em silêncio.
Não acordes
os sonhos no seu clamor.
Atreve-te
depois pelo compêndio…
Que é o meu
colo… uma simples flor.
Aflora o meu
rosto mesmo vazio.
Onde as
rugas espreitam sem pudor.
Concentra-te
nos lábios, tremem de frio!
E deixa aos
olhos inquietos o sol-pôr.
Desliza pela
madrugada até que o dia…
Traga nas
suas asas todos os beijos.
Deixa ao sol
a claridade e a magia.
Que embala e
acaricia os corpos.
E não digas
nada, repara na maresia…
Será ela a
musa dos anseios inebriados.
O calor da chuva...
Depois de
olhar o espelho, que me atrevo…
Pelas pedras
da calçada, que é a vida.
Estará um
rosto espelhado no céu, um enlevo…
Ainda assim:
o silêncio em redor deixa-me dividida.
Se eu amar,
ou, não amar, se falar, só por falar…
Se chorar, e
mesmo assim no fundo da alma…
Despertar as
gargalhadas ao jeito de bandolim.
Quem
desvenda a minha saia rodada.
Pintalgada
com as flores do alecrim.
Inercia
interrompida é a troca de palavras…
Correm sobre
os ombros e vão cair no regaço.
Destemidas,
pelo caminho trocam as voltas…
Aos
escombros… infligidos p`lo cansaço.
E se mesmo
assim:
O espelho
não trouxer um rosto.
É porque a
terra, não é terra e as pedras são muralha.
Oscilando
entre o silêncio e o grito esbaforido.
Anda à deriva o coexistir do sonho e do sono…
E o tal
rosto, lá está… perfeito, por entre os dias!
E o meu crer
é inercia até ao brotar do mosto.
Não faças
caso. Só os poetas sentem o calor da chuva.
Enquanto a
alma vagueia pelas nuvens frias.
Intempéries…
Ah …! Dúbia
espinha enterrada no peito…
Saltitando
de eira-em-beira, presa
por um fio,
tão fino… Tão fino e exposto…
Às
intempéries, onde… A chuva é fresa.
Ou é a pedra
fria moldada no desejo…
Sinto os
ferimentos na rua gelada.
E mesmo
assim, sei que por vezes invento.
Trovoadas e
relâmpagos, e a tormenta…
Não é a
consciência daquilo que sou.
É onde quero
ir, e quem quero levar.
Se até nas
ondas do mar se levantou…
A espuma que
teima em ficar, mas cegou:
Os seus
olhos, e o reflexo só veio, afirmar…
Que o vento
por breves instantes amainou!quarta-feira, 22 de março de 2017
Foi de lá que vieram as vacas loucas...
Da Holanda
chegaram as vacas
Que depressa
enlouqueceram!
Na Europa:
espreitavam as dívidas.
Pasmem-se! Até
pagaram para não comermos!
Deixamos de
plantar, neste país de sol…
As batatas foram ao ar acompanhadas do grelo...
As batatas foram ao ar acompanhadas do grelo...
Logo a
seguir, o pescado e a indústria morreu…
Os milhões
eram o rol... No brio que se (escafedeu)…
Atrás disto:
a corrupção aproveitou a maré…
Enquanto o
povo, crédulo, abençoava a ralé!
Foram
milhões e milhões… Durante anos a fio!
Os juros
sempre a subir e lá se ia o Brio…
Muito
alcatrão e betão… Até, que secou o rio…
Como é
triste a realidade… Venderam-nos ao deus dará…
Agora;
pedimos por cá...
E a grande verdade...
A seu tempo fugiu a paz!
Está escrito
a vermelho e a bebedeira é insónia.
Não
produzimos o que comemos e agora… Chora…
E embora apontem
em jeito de xenofobia…!
Por entre
copos de vinhos, azedo, está a razia.
Andou tudo embriagado,
enquanto, o dinheiro se (escafedia)…
Putas e copos de vinho...
Disse o homem em tom alarve
Ao sul é tudo artola
Vão às putas e bebem vinho
E depois só pedem esmola.
O vinho… Até aceito
Nesta comparação
Quanto às putas, é preconceito
Xenófobo e sem visão.
Mas já que a Holanda é um país
Densamente povoado
E já ninguém contradiz
O facto está comprovado.
Numa Europa despovoada
Sendo o sul uma catástrofe
Mas porquê a algazarra
Só porque o Dijsselbloem é um traste?
Se até muitos de nós
É lá que temos abrigo
Já que por cá não há Mós
Nem moinhos, só há castigo!
Sem me alargar nos números
Que por cá são derramados
A azia soa a furúnculos
Há muito confirmados.
Nos milhões que voam no vento
Sem se saber para onde vão
Sim, são cata-vento…!
E o povo só pensa em perdão.
Vamos lá esclarecer
Já que está tudo zangado
O homem tem certa razão
Por cá, é tudo esbanjado
Mas ao contrário da Holanda
A saúde está uma merda
A educação uma trampa
E as finanças à descoberta…!
Então, onde está a cólera
Contra o tal mafarrico
Se a Holanda é tão pequena
Mas é um país rico.
Como exemplo, perfeito
Daquilo que disse atrás
Dijsselbloem é um defeito
Mas a Holanda, está…
Ao nível da Corrupção
Do melhor para o pior
Senhores na comparação
A Holanda é a melhor
Está no quinto lugar
Nos honestos deste mundo
Mas por cá é de corar
O vigésimo oitavo lugar — diz tudo!
E logo abaixo de Portugal.
Os números não sabem mentir…
Eu sei que calha mal
E o melhor é fingir…
Cabo Verde e S. Tomé
O Brasil e Moçambique
Timor-Leste, a Bissau que é Guiné
Angola, e a Coreia do Norte.
E para terminar o rol
Lá aparece a Somália
Até parece que o sol
É culpado da indumentária!
Perante a constatação
Até dou por mim a pensar
Com tantos a meter a mão
O bacanal é altar.
Entre putas e copos de vinho
As metáforas são perfeitas
Sendo o Dijsselbloem um anjinho
Ao lado dos nossos proxenetas! Não sei...
A audácia com que a dúvida assola…
Assemelha-se a greta aberta na rocha.
A lava incandescente é esta ideia…
Impecavelmente banal e irrisória!
Triste pensamento que habita a floresta…
Circunscrita por pântanos sem giesta.
Só o vento é companhia e é funesta:
A indecisão que rebola numa lágrima…!
Quem és tu… se não me vês além de ti.
Quem sou eu… se definho sem olhar.
E o amor; será só um sopro, ou despertar.
Não sei… e será que tu ainda sabes cantar…
A balada que embala a alma ao passar.
Já que eu não sei, sequer… aquilo que vi.
terça-feira, 21 de março de 2017
Tentação...
Adivinho,
sim...!
Enquanto o
sol,
Confia às
nuvens o traço
do teu mosto.
Deixaste de ser
um vulto…!
Nas ameias
da minha mente,
és néctar que
alimenta e cintila,
ao nascer do
dia.
Até nas
gotas de orvalho…
Procria a ânsia
de ser.
Mas é de
noite:
Que a mente
procura…
Deixando aos
pirilampos,
O traço do
teu corpo.
A frieza da
escuridão,
exibe em
delonga,
o sonho.
E os teus
olhos…
São;
iluminaria!
Tentação…!
Por te saber.
Sem que o
dia se atreva…
A ser.
sexta-feira, 17 de março de 2017
Sono...
Na ponta do meu olhar… Um ensejo!
Amparado pelo medo de estar só!
Eu sei…! Mas não quero e a seguir vejo…
O momento fingindo não ter dó.
Ao longe a música de um realejo.
Chega vazia, arrastada no pó…!
De um livro. Mas as letras… Já não vêem!
São os meus olhos, só querem fazer ó-ó.
É meia-noite, já são horas de dormir.
Em redor o silêncio é frio e assombroso.
Ao longe… Aquele cão continua a latir!
O seu ladrar chega num eco malicioso.
Agora: o momento está mesmo a sorrir!
Só o sono paira no tecto, o vaidoso!
( Poema já publicado e corrigido a 17 de Março 2017, dia mundial do sono.)
quinta-feira, 16 de março de 2017
Ousadia…
Eu sei que espero
enquanto a vida pende…
Para os
lados do sol-posto. Espero por ti…
No resguardo
das ilusões, assim se estende,
a calmaria
das horas e até penso… Já morri!
Na brandura
dos dias só a alma entende.
Uma ilusão dúbia
e esguia … Que só eu vi.
No ondular
do sentir que o olhar prende,
ou no verde
da esperança que antevi…
Num gesto de
fruta madura está o condão,
de prender o
olhar… Alfineta com ousadia!
Até, em
palavras singelas se estende a mão!
Mas tudo
corre… Grita a noite: Quem diria…!
Que os dias
passam e as asas são só ilusão.
É nela que enfraquece
qualquer ventania.sábado, 11 de março de 2017
Pôr-do-sol…
Como pedir
que entenda…
Aquele, o
outro, ou… tu aí.
Se nem ao
vento atrevo.
Tudo o que
já senti.
No peito as
cores do chão…
Da terra
onde nasci!
O horizonte
em solidão…
A esfinge em
que insisti!
E se o
mistério é barro…
Lavrado em
tempo injusto.
É o condão o
charco:
Onde os
sonhos pernoitam.
E a vida… a realidade
vencida:
Ao pôr-do-sol!segunda-feira, 6 de março de 2017
Ainda o BES… Décima
( Mote)
Amigos
pensem comigo,
e vejam se
tenho razão.
Até parece
castigo.
Toda esta
podridão.
No Banco de
Portugal,
andava tudo
aos soluços…
Muito
contidos, patuscos:
— Mas onde é que está o mal?
Não passa de
vendaval!
Era o que
faziam pensar.
Por isso;
restava esperar…
Que o BES se
safasse inteiro.
Escondiam o
formigueiro.
Amigos
pensem comigo…
O Senhor
Governador,
de nada
parecia saber.
Mas vamos lá
esclarecer;
que este
santo no andor,
até parece
um pastor,
a guardar as
ovelhinhas.
Desnutridas,
coitadinhas!
Enquanto
enganava a malta.
A escumalha
estava safa.
E vejam se
tenho razão.
Quanta areia
foi jogada…
Aos olhos
dos portugueses!
Já viram
quantos fregueses,
encobriram
de uma assentada?
E assim foi
desbaratada.
As poupanças
que sobraram.
De uma vida
e se esfumaram…
Sobre um
olhar complacente.
Enquanto fedia
a retrete…
Até parece
castigo!
Ou quem sabe
é mau-olhado.
Que o
impeliu a jurar:
- Não sei o
que se está a passar.
O Salgado é
honrado.
É um
banqueiro equiparado,
a deus lá
nas alturas.
O Governador
em branduras.
Punha água
na fervura.
E sossegava
a assembleia!
Mas que
parasita colmeia:
Toda esta
podridão!Portugal o que fizeste… Décimas
(Mote)
Estava eu um
dia destes,
a pensar com
os meus botões…
Portugal o
que fizeste,
para atrair
os barões?
Tudo rouba
sem virtude!
Há uma
inércia imbecil.
Isto já
parece um covil.
Até dá ares
a abutre.
O povo chora
sem norte…
E deita as
mãos à cabeça.
Resignado
com a sentença.
De boca
aberta, pasmado!
Em assombro
alarmado.
Estava eu um
dia destes…
Quando
achava que tudo vi.
Uma ideia me
assaltou…
Triste país
em que estou!
A pensar
nisto me atrevi.
Depois que
no jornal li:
No Parlamento
à dentada.
Anda tudo à bofetada.
Mas os
milhões lá escaparam.
E por estes dias me deixaram…
A pensar com
os meus botões:
Vencemos a
ditadura.
Achámos que
tudo era simples.
Esquecemos
até os limites…
Onde é que
está o pudor?
A casa
cheira a bolor!
Ser honrado
hoje em dia,
até parece
fantasia.
De gente
saudosista.
Já que é tão
negra a lista…
Portugal o
que fizeste?
Aos ecos de
liberdade.
De honra e
de bravura.
Está cavada
a sepultura.
Digo eu com
ansiedade.
Sem receio e
sem vaidade:
Sempre que
ligo a Televisão…
Anda tudo ao
encontrão!
À direita e
à esquerda.
E até o
centro é corveta.
Para atrair
os barões!Safadeza... Décimas
Eu juro que
um dia ouvi…
É uma
história de pasmar!
só não sei
se entendi,
mas andavam
a calar!
Até o Vírus
foi alarve!
E os
telhados são de vidro.
Anda tudo
empedernido.
De ar
sisudo, muito grave!
A criatura
foi entrave.
E lá se
foram os milhões…
Mas sobraram
alguns tostões.
Ao e-factura
sacados.
Estão os
caldos entornados…
Eu juro que
um dia ouvi.
Abrenuncio,
santa barbara.
Senhora dos
aflitos.
É preciso
requisitos.
Abracadabra
que safra!
Como é
redondinha a cifra.
E foi parar
ao deus dará…
Enquanto o
povinho por cá…
Paga e torna
a pagar!
Tudo o que estou
a contar…
É uma história
de pasmar!
A Maria,
angelical.
E o Núncio,
salvador!
Baixinho e
sem clamor…
Até acham que
está mal!
Mas o
silêncio foi a cal.
Que soterrou
a vergonha.
Isto parece
peçonha.
A política é
um vespeiro!
Quando o
caso é dinheiro.
Só não sei
se entendi!
Se já chegámos
à altura…
Em que tudo
é permitido.
E só o povo
é vencido…
Com má-fé e
sem bravura!
Tudo se cala
à fartura.
Que o
dinheiro pode comprar.
Se qualquer
anjo no altar…
Desconfiava
com firmeza.
Desde 2011... a safadeza …
Mas andavam
a calar!
sábado, 4 de março de 2017
O Guadiana é Paixão… Décimas.
(Mote)
Disse o
vento certa vez:
O Guadiana é
paixão.
Desde o
nobre ao maltês.
A todos já
deu a mão!
Ouçam o que
vou dizer:
Há um rio
que é façanha.
A sua
história é tamanha.
Que até eu a
vou escrever.
A Espanha o
viu nascer,
e o seu leito
é altivez.
até rasga a
aridez,
da planície
alentejana.
O seu nome é
Guadiana.
Disse o
vento, certa vez.
Quando chega
a Juromenha…
Às terras do
Alandroal.
Tudo parece
abissal.
Não há nada
que o contenha!
Ainda se
pode ouvir a senha,
nas noites
de solidão,
de um contrabandista,
irmão,
que a salto
varava o rio…
Dizendo
cheio de brio:
O Guadiana é
paixão!
Está repleto
de azenhas.
E de campos
verdejantes.
Os
salgueiros são mirantes.
E as
margens, feiticeiras!
As águas,
até são bandeiras…
Gravadas com
sensatez,
na história
que sempre fez…
Do rio, a
sorte do povo…
Fosse velho
ou fosse novo.
Desde o
nobre ao maltês!
Gritou o vento em carpido,
lá p`rós
lados do Alqueva.
Este rio
tudo enleva,
Pulo do lobo
é cupido!
No inverno é
gemido…
Em Mértola até
é visão…
Com o céu, a
união.
E na vila do
Alandroal,
o seu peixe
é festival.
A todos já
deu a mão!
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