quinta-feira, 23 de março de 2017

O calor da chuva...

Depois de olhar o espelho, que me atrevo…
Pelas pedras da calçada, que é a vida.
Estará um rosto espelhado no céu, um enlevo…
Ainda assim: o silêncio em redor deixa-me dividida.
Se eu amar, ou, não amar, se falar, só por falar…
Se chorar, e mesmo assim no fundo da alma…
Despertar as gargalhadas ao jeito de bandolim.
Quem desvenda a minha saia rodada.
Pintalgada com as flores do alecrim.

Inercia interrompida é a troca de palavras…
Correm sobre os ombros e vão cair no regaço.
Destemidas, pelo caminho trocam as voltas…
Aos escombros… infligidos p`lo cansaço.

E se mesmo assim:
O espelho não trouxer um rosto.
É porque a terra, não é terra e as pedras são muralha.
Oscilando entre o silêncio e o grito esbaforido.

 Anda à deriva o coexistir do sonho e do sono…
E o tal rosto, lá está… perfeito, por entre os dias!
E o meu crer é inercia até ao brotar do mosto.
Não faças caso. Só os poetas sentem o calor da chuva.
Enquanto a alma vagueia pelas nuvens frias.