segunda-feira, 6 de março de 2017

Portugal o que fizeste… Décimas

(Mote)
Estava eu um dia destes,
a pensar com os meus botões…
Portugal o que fizeste,
para atrair os barões?

Tudo rouba sem virtude!
Há uma inércia imbecil.
Isto já parece um covil.
Até dá ares a abutre.
O povo chora sem norte…
E deita as mãos à cabeça.
Resignado com a sentença.
De boca aberta, pasmado!
Em assombro alarmado.
Estava eu um dia destes…

Quando achava que tudo vi.
Uma ideia me assaltou…
Triste país em que estou!
A pensar nisto me atrevi.
Depois que no jornal li:
No Parlamento à dentada.
 Anda tudo à bofetada.
Mas os milhões lá escaparam.
 E por estes dias me deixaram…
A pensar com os meus botões:

Vencemos a ditadura.
Achámos que tudo era simples.
Esquecemos até os limites…
Onde é que está o pudor?
A casa cheira a bolor!
Ser honrado hoje em dia,
até parece fantasia.
De gente saudosista.
Já que é tão negra a lista…
Portugal o que fizeste?

Aos ecos de liberdade.
De honra e de bravura.
Está cavada a sepultura.
Digo eu com ansiedade.
Sem receio e sem vaidade:
Sempre que ligo a Televisão…
Anda tudo ao encontrão!
À direita e à esquerda.
E até o centro é corveta.
Para atrair os barões!


Ai de mim...

Deixa que adormeça na terra árida. Que o tojo seja o cobertor dos dias frios. A aurora seja o sinal que a alma aguarda. E o vento o ...