segunda-feira, 6 de março de 2017

Ainda o BES… Décima

( Mote)

Amigos pensem comigo,
e vejam se tenho razão.
Até parece castigo.
Toda esta podridão.

No Banco de Portugal,
andava tudo aos soluços…
Muito contidos, patuscos:
Mas onde é que está o mal?
Não passa de vendaval!
Era o que faziam pensar.
Por isso; restava esperar…
Que o BES se safasse inteiro.
Escondiam o formigueiro.
Amigos pensem comigo…

O Senhor Governador,
de nada parecia saber.
Mas vamos lá esclarecer;
que este santo no andor,
até parece um pastor,
a guardar as ovelhinhas.
Desnutridas, coitadinhas!
Enquanto enganava a malta.
A escumalha estava safa.
E vejam se tenho razão.

Quanta areia foi jogada…
Aos olhos dos portugueses!
Já viram quantos fregueses,
encobriram de uma assentada?
E assim foi desbaratada.
As poupanças que sobraram.
De uma vida e se esfumaram…
Sobre um olhar complacente.
Enquanto fedia a retrete…
Até parece castigo!

Ou quem sabe é mau-olhado.
Que o impeliu a jurar:
- Não sei o que se está a passar.
O Salgado é honrado.
É um banqueiro equiparado,
a deus lá nas alturas.
O Governador em branduras.
Punha água na fervura.
E sossegava a assembleia!
Mas que parasita colmeia:
Toda esta podridão!