terça-feira, 4 de outubro de 2016

Mulher de palavras

Não sei de mim, perdida num mundo oco.
Olho a televisão e não me perfilho em nada.
Leio os jornais e só vejo coisas de louco.
Olho em volta e qualquer cara está fechada…

Então porque dói? Se não me revejo no pouco!
Estranha pergunta na solidão desenhada.
Com tinta invisível e nem um grito rouco,
acordará o sentir! Anda perdido, sem guarida.

Incompreensível ilusão; palavras por palavras!
Que é de mim ou de ti? Que é de nós, afinal?
Quando numa hora assombrada por balas…

Morre uma criança sem rosto! Surreal:
São todas as incógnitas sem lágrimas!
E serei eu mulher de palavras num pantanal…


Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...