domingo, 9 de outubro de 2016

Quem sou eu…

Quem sou eu?
Uma flor tingida na memória!
Umas vezes; de um verde deslavado p`lo cansaço.
Outras de um tom púrpura, pigmentado no sonho.
Há ainda aquelas em que estou pintalgada:
Com todas as cores do arco-íris!

Nem sempre retorno ao ponto de partida.
Envolta num manto cor de barro, tingida…
Nem sempre. Sei que o ventre é o auge da terra!
Que os campos em flor são a minha razão.
E as dores da vida são o sangue do chão.

Não hiberno no receio daquilo que há-de vir…
Nem na firmeza que a certeza é ínfimo aconchego.
Se volto atrás no pensamento:
Visto as cores do montado e parto sem destino.
A magia do virar da curva está na robustez:
Com que se enfrenta o impossível.

Quem sou eu?
Se trago pigmentada na mente a solidão!
Nas mãos vazias trago a esperança que me olha.
No peito os choros de quem se cruza no meu caminho.
Ou os risos que me iluminam de mansinho.

Quem sou eu?
 Tão vazia e tão cheia de tudo!
Serei por ventura a costela da planície…
Vagueio como o vento aos quatros cantos!
 Estou cansada… cansada de mim e de ti.
Sonho inaudito que o tempo teima em trazer.
Mas afinal; quem sou eu?

Foto de José Carlos Pratas.