segunda-feira, 4 de julho de 2011

Carta ao destino

Cansei de olhar os dias
De esperar o que eles me trazem
Dos medos, do que eles me fazem
Das faltas e das alegrias
Cansei, vê tu o ultraje

Cansei do caminho sem volta
Das horas que vivo à espera
Dos risos sem vontade
Das tuas mãos ansiedade
Leso cansaço ferido

Mas não cansei do sentido
Do desejo aperaltado
De morrer por entre sombras
De corvos sulcando o ar, assombras
Tantas vezes o meu cansar

Cansei, deixa-me descansar
Preciso de um banho alvo
Pode-te parecer calvo
O meu modo de gritar
Este cansaço alado

Nem todo o ouro roubado
Ao descanso que a mente almeja
Nem tudo vem de bandeja
Escondido no seu doirado
O ouro por vezes é branco
Passa por prata o malvado

Cansei do destino traçado
Pela minha mão incoerente
Foi empurrada p`la mente
Num dia ensolarado
E agora que está bichado
Peço ao sol que me ilumine
Me dei-a ao seu jeito sublime
O descanso merecido
Porque o ingrato destino
Ainda sou eu que decido.