domingo, 10 de julho de 2011

Viúva Negra

Hipnose
A partícula que me mantém suspensa
Como o pensar me pesa
A aresta trémula da cegueira vagueia sem rumo
A aranha tece uma teia na qual me embrenho  
Desapareço silenciosamente por entre mim mesma
Para no final acordar no ribombar do trovão
A observação deslavada
Encaminha pela seda cuspida
A aranha encurralada
Sacia-se no macho que abate
Oh ventania que me sacode a alma
Leva-me, leva-me numa calçada gasta
Que o país está moribundo
Os mortos não querem sair à rua
Hipnose
É o relicário de uma vez por ano
Como é linda a fotografia endoidecida
E eu
Enviuvando na poesia
Enrosco-me sobre mim mesma dando a mordida fatal

Portugal
Um país tecendo teias por entre viúvas negras
Agora podem dizer enlouqueceu
Os pobres deixaram de existir
A pele de curtir
E os mortos reviram-se na sepultura

Só eles se deram conta do ainda está para vir.

Os sonhos chegam nas trindades…

Em qualquer canto ouço a voz dos dias!... Traz ao de cima as fantasias. Mas qualquer canto ensurdece o vento. Mesmo que o intento po...