segunda-feira, 18 de julho de 2011

Naturalmente

Os poetas sentam-se à mesa
Desfolham relíquias
Aos meus olhos
São rosários, são bitolas
Entram e sentam-se
Naturalmente
Com alguma timidez
Tão própria dos poetas

Eu
Busco em cada gesto
A seiva de que me alimento
Eu sei por vezes vejo
Um beijo
Solto no vento
Também vejo dores
As que a alma esconde
E flores
Um jardim imenso
Onde flutua incenso

São os outros
Que também se sentam
Fernando e Torga
Sofia, Ramos Rosa
O Aleixo
Com uma quadra airosa
Pressinto os passos
De Almada Negreiros
Ary dos Santos
Até Vitorino Nemésio

Estes são alguns
Que vieram sem pedir
Muitos mais virão
Um dia
Quando o poema emergir

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...