domingo, 10 de julho de 2011

Suspenso

Se eu não percorresse a tua mente numa busca contínua
Procurando-me a mim
Se o teu olhar não fosse o meu
Aquele que já não sei
De tantas maneiras te olhei
Outras mil insultei
Se eu não vasculhasse emoções
Monções, desilusões
A devolução do momento seria desastrosa
Mas, seria séria não seria enganosa
Engano-me a mim no tacto
Escondo-me de ti sem espalhafato

O dia seria melhor
Se virasse costas ao facto
E num acto tresloucado me revirasse por dentro
Estou presa numa caverna húmida e suja
Por vezes as lágrimas incitam ao asseio 
Mas o devaneio fala mais alto
Incita-me a subir o planalto onde subornando

A escrita se decompõe no fundo da alma
Num tempo ido busquei a calma
Hoje busco desilusão, agora sei
Desilusão no toque da minha mão

Por tudo isso não me olhes
Não acredites em poetas que não creiam
A sua alma é lavada por cinzas
E as suas mãos estão gretadas pelo papel amarelecido
Onde despojam desilusões, tantas vezes sem sentido

Por tudo isto não me queiras
Não queiras o que não entendes
Os poetas são mercadoria contrafeita
A sua raça está desfeita
Porque as palavras que gritam não são deles
São de um povo que lhes chama seus

Doidos, os poetas jamais serão seus
São filhos das pedras, são camafeus
A sua sina será a ruína
Deitando por terra valores caducos
Elevando ao alto os pés gretados de um pobre eunuco

 Por tudo isto não me olhes
Porque os poetas gritam a castração do mundo
E tu, tu vives suspenso e mudo.

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...