terça-feira, 26 de julho de 2011

Travesso

Travesso

Se me atrevesse
A escrever
O olhar intrigado
A noite agora calma
Naufragava
Nos teus passos

Atrevida
Seria a emoção
Com que a minha boca
Prenunciaria o teu nome
Apenas
O olhar trémulo
Desacreditaria
A incerteza
De que os meus pés
Caminharam
Sem sentido
Descalços
De embaraços
Há muito idos

A noite
É calma
Nem os grilos cantam
As cigarras emudeceram
Tenho a lua
Por companhia
A conversa amena
Desvenda
Os meus segredos
Por instantes
A lua cintilante
Desnudou
O teu rosto

Embora
A utopia
Seja poesia
Na qual me perco
Se eu me atrevesse
A escrever
Verso, após verso

O teu rosto brilharia
Travesso.