segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sombra

Vou vestir-me de chita e sair por aí
Pés acomodados nas sandálias gastas
Vou levar nos cabelos ideias rascas
Que não me cabem na mente
No olhar levarei a semente
Que inundará a rua de esperança
Deixarei o que me arruína a lembrança
Fechado a sete chaves de desejo

Sairei por aí procurando o amor
Aquele que não me queira adulterar
Pedirei à saudade um breve meditar
Sobre o que sou, mesmo que seja incolor

Levarei na sacola um pedido
Não olhem para o meu vestido
É de chita singela mas é garrido
Tem desenhado a lápis o sentido
Do meu andar cansado

E o desejo esse é um mastro de onde abraço o horizonte
De onde albergo num abraço um mundo que inventei
Talvez não seja o que um dia sonhei
Mas será sempre a sombra vadia que salta da ponte.

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...