sexta-feira, 22 de julho de 2011

Restolho

Fala comigo amor
Fala sem ser por falar
Inunda-me os sentidos de algo que valha a pena
Fala comigo
Do canto das cigarras
De utopias
As minhas são sebentas
Quem sabe tu as entendas
Fala dos vendavais e do estio
Daquele rio onde os peixes são de prata
As mãos do homem erraram na fragata
E os peixes brilham
Fala-me
Da criança que foste
Daquela que fui
Do olhar e do que ele inclui
Sempre que a tarde desce
No Alentejo
Quem sabe amor
A ramagem amarelada pelo verão
Volte a ser verde ao toque da tua mão
Quem sabe amor
Aquele menino
Que um dia se atreveu a sonhar
Encontre a menina que teimo em fechar
Sob a cara fechada,
A aba do chapéu de palha
A saia desbotada
O cansaço mesquinho
Do pó fininho
Que me entra pela pele
Se alberga em cada poro e repele
Os toques suaves
Quem sabe amor
Se um dia me falares
O Alentejo resgatará
A melodia estival
As cigarras se recolham
Nos cantes reacendidos
Pelo som do restolho
Que verga ao nossos passos… Júlia Soares um outro pseudónimo.

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...